Câncer de Mama e Reconstrução Mamária

· Dr. Vitor Nunes

Câncer de Mama e Reconstrução Mamária

Ainda no contexto do Outubro Rosa: Mês da conscientização sobre o Câncer de Mama, preparamos mais um artigo acerca dos tipos de reconstrução mamária.

Sabe-se que Cirurgia Plástica é uma especialidade muito conhecida pela sociedade. Procedimentos estéticos ganham destaque por seus resultados rejuvenescedores e também por melhorar a autoestima dos pacientes. No entanto, o que poucos sabem, é que a cirurgia plástica surgiu para corrigir deformidades que trazem prejuízos funcionais, como cirurgia reparadora. A cirurgia reparadora, hoje bastante importante no tratamento do câncer de mama, é voltada para a recuperação da forma e autoestima do paciente.

A indicação do tipo de tratamento deve ser individualizada, já que depende da especificidade do câncer, da cirurgia, da faixa etária, atividades de vida cotidiana, entre outros fatores. Além disso, a escolha deve ser sempre da mulher, após consulta e orientação de especialistas para que ela possa tomar uma decisão informada. Cada técnica deve ser individualizada para cada caso e cabe ao cirurgião plástico orientar as pacientes sobre a melhor cirurgia reconstrutiva a ser realizada. É importante frisar que o foco principal está no tratamento do tumor, na cura da doença, desse modo a reconstrução não deve ser vista como uma opção de tratamento, e sim como continuidade terapêutica.

Quais as causas do Câncer de Mama?

Câncer de Mama e Reconstrução Mamária

Assim como outros tipos de câncer, não apresenta uma única causa específica. No entanto, alguns fatores de risco são observados para a doença como:

  • Menarca (primeira menstruação) precoce e menopausa tardia;
  • Ausência de gestações;
  • Ausência de amamentação;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Tabagismo;
  • Consumo de álcool;
  • Alimentação industrializada e com excesso de gordura;
  • Estilo de vida muito estressante;

Qual a importância da Reconstrução Mamária?

Câncer de Mama e Reconstrução Mamária

Entendemos que, no momento do diagnóstico, a última coisa que passa pela cabeça da paciente é passar por algum tipo de cirurgia plástica por questões estéticas (e é perfeitamente normal dar mais atenção à sua saúde que a outras questões). Mas queremos discutir aqui o valor da reconstrução mamária na recuperação psicológica da mulher.

Quais as técnicas de Reconstrução Mamária?

Existem diferentes técnicas para reconstrução das mamas, e elas dependem da quantidade de mama retirada, do tamanho da mama das condições da paciente. Quando grande parte da gordura e pele da região for preservada, é possível apenas usar uma prótese de silicone abaixo do músculo peitoral maior para chegar a um bom resultado. Quando não é possível preservar parte da gordura e pele, há outras opções como o TRAM (Transverse Rectus Abdominus Myocutaneous). Nessa técnica o cirurgião retira parte do tecido excedente na região abaixo no umbigo e transfere para o local da mama, dando o formato de um novo seio.

Além disso, a mama também pode ser reconstruída com parte do tecido das costas – parte do músculo grande dorsal é retirado para substituir o tecido da mama. Outra alternativa é o uso de uma prótese expansora. Ela é colocada na mama e inflada semanalmente com soro fisiológico. Isso vai levando lentamente à expansão da pele até o momento em que ela possa ser substituída por uma prótese de silicone.

Nos casos em que o câncer acomete apenas uma das mamas, para garantir a simetria delas uma opção é operar também a outra mama ou fazer a colocação de próteses de silicone na mama acometida pelo câncer. Isso, somente é feito se for o desejo da paciente. Às vezes a outra mama apresenta caimento, muito ou pouco volume, então a operação pode ser uma opção para deixá-las com o mesmo tamanho e formato.

O tipo de cirurgia que será feita depende muito do estágio em que a doença foi diagnosticada, já que isto influencia no tamanho da mamoplastia, se será total ou parcial. De qualquer modo, como citado anteriormente, há 3 tipos de cirurgia reconstrutora:

– Uso de prótese de silicone

Quando grande parte da gordura e pele da região for preservada, é possível apenas usar uma prótese de silicone abaixo do músculo peitoral maior para chegar a um bom resultado. Conforme a individualidade de cada caso, pode ser necessário implantar próteses de silicone e ter o mamilo e a aréola reconstruídos, além de acertar a simetria com a mama oposta. Às vezes, é preciso realizar duas ou mais cirurgias para que o processo seja concluído.

– Enxerto pela região das costas

Esta técnica utiliza um tecido das costas e uma parte da musculatura grande dorsal, bem na altura da marca do sutiã, que é transferida para a região da mama que será reconstruída. Logo abaixo do músculo será colocada a prótese de silicone e a pele ajuda a compensar o tecido perdido durante a mastectomia.

Transverse Rectus Abdominus Myocutaneous (TRAM)

Essa técnica é utilizada quando não é possível preservar parte da gordura e/ou pele. É uma técnica que usa parte do tecido do abdome como um enxerto, transferindo-o para o local da mama para realizar a reconstrução e mantendo irrigação sanguínea neste local.

– Prótese expansora

Neste tipo de cirurgia é aplicada uma prótese expansora vazia, que vai sendo preenchida gradualmente com soro fisiológico, para que estimule o crescimento da pele natural da mama que foi retirada. Este preenchimento é realizado semanalmente até que seja possível trocar esta prótese expansora por uma versão de silicone. Todo o processo pode durar até três meses.

Todas as técnicas acima são consideradas para reconstrução mamária, e serão realizadas de acordo com a individualidade de cada paciente. A reconstrução mamária pode ser imediata ou tardia. A cirurgia é imediata quando a paciente passa pela mastectomia e pela reconstrução em um único momento cirúrgico, enfrentando apenas um período de recuperação e evitando a experiência de lidar com a ausência de uma ou das duas mamas. A reconstrução tardia é realizada quando a paciente não tem condições clínicas para realizar o procedimento imediatamente ou quando prefere focar inicialmente na recuperação da saúde e analisar com calma as opções de reconstrução após esse processo.

Existe um momento certo para realizar a Reconstrução Mamária?

A recomendação médica é que a reconstrução mamária seja feita, preferencialmente, logo após a retirada da mama, para que se aproveite o momento da cirurgia para fazer mais procedimentos e facilitar a recuperação. Entretanto, isso não é uma regra, já que muitas mulheres, por estarem passando por um momento delicado, não terem decidido ainda a hipótese de colocar uma prótese ou realizar a reconstrução mamária. Por isto a cirurgia pode ser feita, sem problemas, algum tempo depois quando a paciente se sentir mais confortável.

A Reconstrução Mamária pode ser realizada durante a quimioterapia ou radioterapia?

Não. Durante os tratamentos de quimioterapia e radioterapia a paciente não pode passar por nenhum tipo de procedimento invasivo ou cirúrgico.

A Reconstrução Mamária pode ser feita logo após a cirurgia de Mastectomia?

Sim, pode-se fazer a reconstrução no mesmo tempo da cirurgia de mastectomia. Nesse caso, a reconstrução é imediata. A reconstrução tardia ocorre quando a mulher faz a mastectomia e faz um tratamento adjuvante, como quimioterapia, radioterapia e terapia biológica. Nesses casos, evita-se fazer a reconstrução durante o tratamento, sendo indicada um tempo depois. Deve-se avaliar cada caso individualmente.

Como prevenir a retirada total das mamas?

No contexto do Câncer de Mama, para reduzir as chances de uma retirada invasiva das mamas é detectar a doença ainda em eu estágio inicial. Por este motivo a realização do autoexame mensalmente é fundamental para detectar algum sinal suspeito. Além disso, realizar consultas periódicas e realizar mamografias a partir dos 50 anos de idade.

O tratamento do câncer de mama é muito delicado, dessa forma é preciso estar lado a lado com um profissional que entenda seus medos, suas necessidades e que te dê apoio e segurança. Por isso escolher um profissional que tire todas as suas dúvidas em relação ao tratamento e a possível cirurgia de mamas é essencial.

Como ficam as mamas após uma reconstrução pós Câncer de Mama?

Apesar de a mama não ficar como antes, o resultado pode ser bastante satisfatório. As cicatrizes vão depender de cada situação e podem ficar maiores ou menores.

No entanto, o mais importante é o impacto positivo que esse tipo de cirurgia causa na autoestima das pacientes, que podem recuperar o orgulho pelo próprio corpo, além da retirada do tumor.

O tratamento do câncer de mama é bastante individualizado e cada caso pode ter uma abordagem completamente diferente do outro. Nesse contexto, esse assunto é bem prevalente no contexto da sociedade atual, e mostra-se a importância de uma abordagem multidisciplinar, com médico oncologista, mastologista, ginecologista e cirurgião plástico.

É fundamental conversar abertamente com o seu médico, colocar todas as dúvidas, esclarecer quais os seus objetivos e expectativas e ouvir quais os resultados possíveis, os cuidados pós-operatórios necessários e eventuais complicações. Agende sua consulta e passe em avaliação especializada.

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